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“A primeira mastectomia”, “Mulher sofrendo de cancro da mama”, “Transplante facial”, “Cirurgia plástica pelo cirurgião Archibald Mcindoe”

“A primeira mastectomia”, “Mulher sofrendo de cancro da mama”, “Transplante facial”, “Cirurgia plástica pelo cirurgião Archibald Mcindoe”
“A primeira mastectomia”, “Mulher sofrendo de cancro da mama”, “Transplante facial”, “Cirurgia plástica pelo cirurgião Archibald Mcindoe”
“A primeira mastectomia” (1864) (Nicholas Henri Jacob, 1782-1871) (Coleção Wellcome), “Mulher sofrendo de cancro da mama” (?) (John Guise Westmacott, ?-?) (Coleção Wellcome), “Transplante facial” (1996) (Joel Babb, sec XX-XXI), “Cirurgia plástica pelo cirurgião Archibald Mcindoe” (1941) (Anna Zinkeisen, 1901-1978)
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A mastectomia é um tipo de cirurgia que já se pratica desde a antiguidade clássica e, até à altura em que a evolução da técnica cirúrgica veio a permitir desenvolver e aplicar, com sucesso, a sua reconstrução, foi certamente das que mais marcou a auto-imagem corporal das mulheres. Não só porque resultava da necessidade de se tentar curar uma doença grave e potencialmente mortal (quase sempre um cancro) mas também por lógicos motivos estéticos. As mamas, para além do mais, simbolizam a maternidade, e são ainda importante fator de atração sexual, pelo que tudo o que com elas se relacione, designadamente estados mórbidos, tem uma notória interferência no equilíbrio afetivo das mulheres e, porque não dizê-lo, também, no dos seus companheiros e pais dos seus filhos. Presentemente, neste âmbito, a cirurgia plástica atua com notável eficácia, como se alude nos outros dois quadros, em áreas tão diversas como o transplante facial ou a reparação funcional e estética de traumatizados de guerra, como foi o caso do famoso cirurgião Archibald Mcindoe, de origem neozelandesa, que exerceu muito do seu saber nos palcos bélicos da II Guerra Mundial.

As questões éticas e psicológicas que o transplante facial levanta, por interferir com a parte do corpo mais significativa para qualquer ser humano se relacionar com outrem, e logo com aquilo que mais simboliza, na aparência, a sua própria identidade enquanto pessoa única e irrepetível, tem de ser levada a cabo em situações muito selecionadas, e carece de um acompanhamento multidisciplinar, articulado sempre pelo cirurgião responsável, o que implica grande capacidade de relacionamento profissional e afetivo com o doente, e que se estende do pré ao pós-operatório, certamente por longo período de tempo, quiçá para toda a vida do doente.

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