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quadros comentados

 

“O doutor”

Quadro de Luke Fields, pintor Inglês (1843-1927) de 1887

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Foi na época vitoriana que a denominada Revolução industrial atingiu o seu apogeu em Inglaterra, tendo Henry Tate sido um dos seus expoentes, enquanto empresário, mas também como filantropo ligado ao domínio das artes, o que veio posteriormente a ser como que imortalizado com a atribuição do seu nome a dois dos principais museus londrinos (a Tate Galery e a Tate Modern). O ambiente que se vivia nos meios sub-urbanos das principais cidades de sua Exª, a Magestade do maior império mundial do sec. XIX, foram genialmente retratados nos livros de Charles Dikens, onde é possível percecionar, nas suas pungentes descrições literárias, a precaridade da vida do vulgar cidadão, também ele, à semelhança das máquina industrias que enchiam os edifícios onde se situavam as inúmeras fábricas circundantes, promovido à condição de não ser mais do que uma mera e simples peça descartável da enorme máquina produtiva que se ia erguendo vertiginosamente.

Luke Fields, foi um dos expoentes criativos dessa memorável época histórica, tendo ilustrado algumas das obras de Charles Dikens. Um certo dia, conta-se, terá sido instado por Henry Tate a aceitar uma encomenda cujo tema teria sido deixado à sua própria inciativa. Assim, imaginou e concretizou um dos mais icónicos registos pictóricos desse período, muita vezes comentado e destacado, designadamennte pela AMA (American Medical Association), como uma das peças escolhidas para ilustrar e corporizar aquilo que de mais nobre tem a profissão médica, ou seja, a atividade clínica assistencial, já que o quadro foi intitulado singelamente, pelo seu genial criador, por “O doutor”. Muitas interpretações foram dadas ao longo dos anos, acerca do seu verdadeiro significado. Uma delas, e que veio a ser confirmada posteriormente pelo próprio Luke Fieds, é que se tratava de uma homenagem ao médico que teria assistido um dos seus filhos que havia sido acumetido de uma doença febril súbita e grave (Febre Tifóide? Meningite?) e que apesar de toda a dedicação e competância por parte do clínico, a criança havia de socumbir inexoravelmente no leito da casa paterna. É assim possível visualizar, não só a extrema exiguidade das condições de hegiene da própria habitação, como o ar contemplativo de extrema sereniidade e concentração do clínico, mau grado a constatação da inevitabilidade da morte do seu paciente, bem como a presença dos pais, ele com uma ar de aparente resignação e ela em profunda e amargurada postura de reclusão emocional.

No momento em que se se pretende promover a Relação Médico Doente a Património Imaterial da Humanidade, meditar sobre a mensagem deste inolvidável quadro, é uma das melhores formas de promover esta iniciativa. É que só através desta relação é possível que, apesar dos pais verem o médico impotente prante a doença que ceifou a vida do sei amado filho, tenham tido ainda a lucidez e a grandeza de espírito para o aceitarem e reconheceem o esforço do impotente médico assistente.

Da esquerda para a direita, respetivamente, “Auto-retrato” de 1911, por Luke Fields, Pintor Inglês, 1843-1927; “Henry Tate” de 1897, por Hubert Herkomer, pintor anglo germânico, 1849-1914; “Charles Dikens” de 1859, por William Frith, pintor inglês, 1819-1902, e “Raínha Vitória” de 1900, por Bertha Muller, pintora austríaca, 1848-1937

Da esquerda para a direita, respetivamente, “Auto-retrato” de 1911, por Luke Fields, Pintor Inglês, 1843-1927; “Henry Tate” de 1897, por Hubert Herkomer, pintor anglo germânico, 1849-1914; “Charles Dikens” de 1859, por William Frith, pintor inglês, 1819-1902, e “Raínha Vitória” de 1900, por Bertha Muller, pintora austríaca, 1848-1937.

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