Notícias
Divulgação CulturalPalestra | João Rui de Sousa: 90 anos | 29 nov. | 18h30 | BNP
João Rui de Sousa: 90 anos
MOSTRA | 12 out. – 28 dez. ’18 | Sala de Referência | Entrada livre
PALESTRA | 29 nov.’18 | 18h30 | Auditório | Entrada livre
Nos 90 anos do poeta e ensaísta João Rui de Sousa, a Biblioteca Nacional de Portugal celebra a sua obra através de uma mostra e de um encontro. Neste último, Fernando Martinho e José Manuel Vasconcelos falam sobre o autor e Ricardo Marques lê poemas seus.
Poeta, crítico e ensaísta, nasceu em Lisboa, a 12 de outubro de 1928. Depois de ter feito o curso de Regente Agrícola na Escola Agrícola D. Dinis, licenciou-se em Ciências Histórico-Filosóficas na Faculdade de Letras de Lisboa. Trabalhou durante largos anos na Junta Nacional das Frutas, tendo, já depois de 1974, desempenhando funções na Área de Espólios da Biblioteca Nacional (hoje Arquivo de Cultura Portuguesa Contemporânea), da qual se aposentou em 1993.
O seu nome aparece inicialmente ligado à revista Cassiopeia (1955), como um dos seus diretores. A sua poesia, no essencial, permaneceu fiel a duas linhas: por um lado, uma defesa da «fraternidade», já vincada pelo realismo social; por outro, a não-abdicação da «singularidade», num tempo em que as esperanças utópicas se mostravam já em clara regressão. No plano poético, conjuga dois vetores, o ético e o estético, e a abertura a uma reflexão que problematiza o estar no mundo.
O gosto pela reflexão manifesta-se não apenas na prática poética, mas também no exercício de uma atividade crítica e ensaística que chegará até aos nossos dias. Na poesia, é esse gosto o responsável pelo seu tom frequentemente reflexivo, que tem um dos seus pontos culminantes em Meditação em Samos (1970). Neste livro, através de um diálogo com Pitágoras e outros nomes da filosofia antiga, privilegia-se o papel de um dos quatros elementos, o fogo, enquanto no conjunto inédito Respirar pela água, incluído na primeira reunião da sua obra poética, O fogo repartido: 1960-1980 (1983), privilegia-se o elemento água, constituindo em Corpo terrestre, vindo a público em 1972, mas anterior a Meditação em Samos, a terra, o fundamento arquetípico. Se considerarmos os livros reunidos em O fogo repartido, poderíamos distinguir duas fases na poesia de João Rui de Sousa:
1. Uma primeira, até ao fim da década de 70, em que sobressai uma atitude interventiva, de resposta às questões colocadas pela História, pela circunstância, e em que se inclui o poema A hipérbole na cidade, 1960, e os livros Circulação (1960), A habitação dos dias (1962), e Corpo terrestre (1972);
2. Uma segunda, a partir da década de 80, mais liberta do circunstancial, e mais aberta às inquietações maiores do homem ou à sua vinculação ao cósmico e ao elementar, e de que fariam parte Meditação em Samos e Respirar pela água.
Em 2002, João Rui de Sousa volta a reunir a sua Obra poética (1960-2000), que foi distinguida com os Prémios do PEN e do Centro Português da Associação Internacional dos Críticos Literários. A sua prática poética teve seguimento com diversos títulos, em que se destacam Lavra e poesia (2005), Quarteto para as próximas chuvas (2008), que foi Prémio de Poesia Teixeira de Pascoaes, Respirare attraverso l’acqua, Antologia poetica (Turim, 2014), e Ardorosa súmula (2016). Em 2012, a sua obra foi consagrada com o Prémio Vida Literária da Associação Portuguesa de Escritores.
O exercício da crítica e do ensaísmo literário começou nele muito cedo e foram vários os lugares por onde o deixou, com destaque para o Suplemento Literário de A Capital, o jornal Crítica, e o JL. A edição de obras de outros autores foi outro campo onde ficou a marca do seu entranhado amor pela poesia e pela literatura. Cabem nesta rubrica a 2.ª edição das Poesias completas de Adolfo Casais Monteiro, em 1993, e a edição de Poesia e alguma prosa, de Mário Saa, em 2006. Também os Estudos Pessoanos lhe devem dois contributos de grande relevância, a Fotobibliografia de Fernando Pessoa: 1902-1935, de 1988, e a 2.ª edição, revista e aumentada de Fernando Pessoa empregado de escritório, de 2010. Dedicou ainda a um companheiro de aventura literária um dos livros fundamentais da sua bibliografia passiva: António Ramos Rosa ou o Diálogo com o universo (1998).
Fonte: bnportugal.pt
Outros artigos em Divulgação Cultural:
Conferência | Fernando Namora (1919-1989) | 8 jul. | 18h00 | BNP
No âmbito do centenário do nascimento de Fernando Namora, José Manuel Mendes, presidente da Associação Portuguesa de Escritores, apresenta uma conferência sobre o escritor
Música na Biblioteca | Orquestra Metropolitana de Lisboa | 5 jul. | 21h00 | BNP
Existem muitas opiniões a respeito da sinfonia de Johannes Brahms que preenche a segunda metade deste programa. Há quem lhe chame «Sinfonia Pastoral», numa evidente alusão às ambiências bucólicas da Sexta Sinfonia de Beethoven
Mostra | «O escritor não tem poder nenhum». Fernando Namora (1919-1989) | 27 jun. – 30 ago. | BNP
Verdadeiro profissional das letras (num sentido perseguido pelo escritor desde o século XIX, em que o nome de Camilo Castelo Branco surge como raro exemplo), Fernando Gonçalves Namora, formado em Medicina pala Universidade de Coimbra, cedo abandonou a medicina, pr pouco tempo trabalho numa empresa de produtos farmacêuticos
Visita guiada | Do Convento ao Campo Grande | 27 jun. | 18h00 | BNP
Em 1837, a Biblioteca Nacional foi instalada no antigo Convento de São Francisco, ao Chiado, na sequência da extinção das ordens religiosas. Dos conventos de todo o país chegavam coleções de livros, móveis, pinturas, instrumentos científicos, que se juntavam aos acervos iniciais, provenientes da antiga Real Mesa Censória e de importantes doações particulares













