Notícias

Divulgação Cultural

Nureyev no espólio de Alberto de Lacerda

Nureyev no espólio de Alberto de Lacerda

MOSTRA | 8 fev. – 14 abr. ’18 | Sala de Referência | Entrada livre

Rudolf Nureyev e Margot Fonteyn (BNP Esp. E67)Alberto de Lacerda contava que, ainda adolescente, comprara num alfarrabista de Lourenço Marques um exemplar meio amarrotado da autobiografia de Isadora Duncan e que, a partir desse momento, algo de inesperado surgira na sua vida: a paixão pela dança.

Dessa paixão há inúmeros sinais. Bem mais do que sinais, há um legado. Uma coleção espantosa de fotografias, cartazes, programas de espetáculos, livros e obras de arte que reuniu, para além dos textos e poemas que escreveu. Espantosa porque revela simultaneamente o seu talento de colecionador, e a sua proximidade a uma arte exigente, difícil de acompanhar, que o obrigou a deslocações e despesas mas que lhe trouxe indizíveis recompensas.

No seu diário, pode ler-se:

Nova Iorque, 17 de Abril, 78

Cheguei ontem. Semanas especialmente difíceis. Possibilidades de emprego em Tucson, no Arizona, e de ensinar um curso na Columbia University em Nova Iorque. Nervos. Ansiedade.
Um horroroso cansaço – geral: do espírito, do corpo. Espero que a minha vida assente sobre o ponto de vista da sobrevivência material e volte àquilo que é o seu centro: o amor, a poesia e a vivência do real e do autêntico. Vim a Nova Iorque (com grande sacrifício) não para me evadir, mas para re-encontrar o real, o autêntico: neste caso, a dança, na encarnação suprema de Nureyev.

Rudolf Nureyev (BNP Esp. E67)Rudolf Nureyev iniciou a sua carreira em Londres em 1962. Por essa altura, Alberto de Lacerda, que aí tinha chegado no início da década anterior, já se tinha relacionado com historiadores e críticos de dança, conhecido coreógrafos, dançarinos, gente pertencente a um mundo que nunca deixou de frequentar e que lhe proporcionou inspiração e deleite até ao fim da vida.

Para alguém que se deixou arrebatar por talentos e desempenhos tão diferentes como os que Alberto de Lacerda teve ocasião de presenciar ao longo da sua vida de espectador atento e privilegiado, seria talvez inútil tentar fazer uma lista dos que mais o impressionaram.

Mas há do seu próprio punho testemunhos que não deixam qualquer dúvida sobre quem mais admirou. No começo de 1991, numa carta a Luís Amorim de Sousa, então nos Estados Unidos, refere: «A minha musa morreu. O pranto não cessa». A musa era Margot Fonteyn. E para Alberto de Lacerda, Fonteyn e Nureyev eram a evidência do sublime.

Exemplar da obra «Fonteyn and Nureyev: the story of a partnership» (BNP B.A. 40554 V.), da autoria de Alexander Bland, com dedicatória autógrafa de Rudolph Nureyev e Margot Fonteyn.Para alguém que não temia a ousadia de certas opiniões, Nureyev era supremo. Chamou-lhe mesmo «Deus supremo». E novamente «deus» quando, a 6 de janeiro de 1993, no seu diário, regista a sua morte: «Morreu um deus. Nureyev morreu hoje em Paris».

Uma semana mais tarde, ainda escreve:

«A morte de Nureyev tem-me pesado muito. Vê-lo mais de uma centena de vezes foi uma gande inspiração na minha vida. Devo-lhe enormemente; e por certo, a minha poesia também».

E, numa outra passagem do diário, registada em Nova Iorque:

«Jamais um bailarino foi tão plástico, tão proteico na apreensão e projecção do que na música é mais música, é mais irredutível a outra expressão».

Fonte: bnportugal.pt

Outros artigos em Divulgação Cultural:

Encontro | O legado d’As mil e uma noites | 24 out. | 14h00 | BNP

Encontro | O legado d’As mil e uma noites | 24 out. | 14h00 | BNP

São apresentadas e debatidas algumas comunicações sobre a receção, representação, tradução e presença d’As mil e uma noites na cultura portuguesa e a nível internacional, principalmente na literatura. O evento decorre no âmbito da exposição As mil e uma noites em Portugal comissariada por Fabrizio Boscaglia, Hugo Maia e Renata Fontanillas

Concerto | Sarau dos Amores: Coro de Câmara da Universidade de Lisboa | 20 out. | 16h00 | BNP

Concerto | Sarau dos Amores: Coro de Câmara da Universidade de Lisboa | 20 out. | 16h00 | BNP

Renascença, tempo de (re)conquista e (re)descoberta do Homem, do mundo e de tudo o que este tinha para dar. Após centenas de anos de amores condenados e proibidos, o amor do renascimento não escapou ao florescer da expressão humana, onde proliferaram as paixões, as conquistas, as saudades, os pesares, as tampas, as despedidas, os desprezos, as traições, o exímio galanteio e os seus grandes ícones

Apoios/Parcerias:

Associação Portuguesa para o Estudo Clínico da SIDA (APECS)By The BookConsulped - Consultórios de Pediatria e da Famíliaideiavirtual - aplicações interativasLACPEDI - Liga de Apoio Comunitário em prol do Estudo das Doenças InfecciosasLiga dos Amigos do Hospital de São Bernardo, LAHSB-CHSLASA
Ordem dos MédicosSociedade Portuguesa de Escritores e Artistas Médicos (SOPEAM)Sociedade Portuguesa de Medicina Interna: SPMISociedade Portuguesa de Medicina do Viajante (SPMV)sYnapsis